Monte da Ervilha, 2025/2026
Sobre:
Fungo, Floresta, Futuros é um projeto artístico transdisciplinar de Juliana Julieta que cruza ecologia, tecnologia e imagem em movimento e propõe um encontro sensorial e íntimo com a floresta, explorando relações mais-que-humanas, desafiando perspetivas antropocêntricas e ensaiando outras formas de relação com o ambiente.
O projeto desenvolve-se a partir do Monte da Ervilha, em Aldoar (Porto), um território composto por área florestal, ribeiro e hortas cultivadas, atualmente ameaçado por projetos urbanísticos que preveem a construção de grandes edifícios e a consequente perda de zonas verdes. Mais do que documentar este lugar, o projeto propõe aproximar-se dele através da escuta, da presença e da criação.
Partindo da fisicalidade da película analógica, o trabalho criativo explora práticas como a eco-revelação, desenvolvendo-se em diálogo direto com o território, trabalhando com elementos vegetais e minerais do lugar como co-produtores da imagem. Para além da dimensão visual, o processo integra gravações de campo, práticas de escuta e dispositivos de biofeedback que captam variações subtis do ambiente e dos organismos vivos. Estar no local torna-se assim parte essencial do método: criar relações, acompanhar os seus ritmos e reconhecer a sobreposição de múltiplas temporalidades — do tempo cronológico e quotidiano aos ritmos sazonais, às sedimentações estratigráficas e às escalas geológicas que moldam silenciosamente a paisagem.
O projeto desdobra-se também num conjunto de ações públicas situadas no território — workshops, caminhadas, práticas de escuta, refeições comunitárias e momentos de experimentação coletiva — pensadas como dispositivos de aproximação sensorial e partilha de conhecimento. Estas atividades convocam diferentes saberes e práticas, cruzando arte, ecologia e experiência situada, e promovendo formas de presença mais lentas, atentas e implicadas.
Para além das atividades no terreno, o projeto prevê uma apresentação pública, uma exposição e uma publicação que reunirá contributos de artistas e investigadores convidados, prolongando o processo em formatos expositivos e editoriais.
“Fungo, Floresta, Futuros” move-se nesse intervalo onde o presente ainda pode ser habitado como possibilidade. Um exercício de atenção diante do desaparecimento, mas também uma prática de imaginação: que formas de vida, relação e comunidade ainda podem emergir quando nos dispomos a escutar um lugar.
Equipa:
Criação, direção artística, imagem e som: Juliana Julieta
Investigação e escrita: Joana Rafael
Investigação e escrita: Salomé Lopes Coelho
Investigação e escrita: Susana Caló
Workshop e escrita: Luísa Martelo
Workshop e mentoria herbal: Fernanda Botelho
Workshop: Monika Błoch
Som, dispositivos eletromecânicos: Sérgio Cachibache
Som: Wouter Jaspers e Henrique Fernandes
Design: Luísa Martelo
Apoios: DGArtes, Criatório, Casa do Xisto